Grande Orquestra de Verão

O Auditório Vita recebe, no próximo Sábado 15 de Setembro, A Orquestra Metropolitana de Lisboa [OML] no âmbito da digressão por todo o País da Grande orquestra de Verão dirigida pelo Maestro António Victorino de Almeida.

Interpreta o seguinte programa

Sinfonia n.º 5 em Si bemol maior, D.485 - Franz Schubert

I. Allegro

II. Andante con Moto

III. Menuetto (Allegro Molto)

IV. Allegro Vivace

Sinfonia n.º 5 op. 167 - Victorino D’Almeida

Boléro - Maurice Ravel

 

ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA

A Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML) estreou-se no dia 10 de Junho de 1992. Desde então, os seus músicos asseguram uma extensa atividade que compreende os repertórios barroco, clássico e sinfónico – integrando, neste último caso, os jovens intérpretes da Orquestra Académica Metropolitana. Distingue-se igualmente pela versatilidade que lhe permite abordar géneros tão diversos como a Música de Câmara, o Jazz, o Fado, a Ópera ou a Música Contemporânea, proporcionando a criação de novos públicos e a afirmação do caráter inovador do projeto da Metropolitana.

Esta entidade, que tutela a orquestra, tem como singularidade o inter-relacionamento das práticas artística e pedagógica, beneficiando da convivência quotidiana de músicos profissionais com alunos das suas escolas – a Academia Superior de Orquestra, o Conservatório e a Escola Profissional Metropolitana. Este desígnio faz parte da identidade da OML, à semelhança de uma participação cívica que se traduz na regular apresentação em concertos de solidariedade e eventos públicos relevantes. Cabe-lhe, ainda, a responsabilidade de assegurar programação anual junto de várias autarquias da região centro e sul, para além de promover a descentralização cultural por todo o país. Tendo como fundadores a Câmara Municipal de Lisboa, a Secretaria de Estado da Cultura, o Ministério da Educação e Ciência, o Ministério da Solidariedade e da Segurança Social, a Secretaria de Estado do Turismo e a Secretaria de Estado do Desporto e Juventude, a Metropolitana é constituída também por um conjunto alargado de Mecenas, Patrocinadores, Promotores Regionais e Parceiros, que se unem neste projeto com características inovadoras.

Desde o seu início, a OML é referência incontornável do panorama orquestral nacional. Além-fronteiras, e somente um ano após a sua criação, apresentou-se em Estrasburgo e Bruxelas. Deslocou-se depois a Itália, Índia, Coreia do Sul, Macau, Tailândia e Áustria. Em 2009 tocou em Cabo-Verde, numa ocasião histórica em que, pela primeira vez, se fez ouvir uma orquestra clássica naquele arquipélago. No final de 2009 e início de 2010, efetuou uma digressão pela China. Tem gravados onze CDs – um dos quais disco de platina – para diferentes editoras, incluindo a EMI Classics, a Naxos e a RCA Classics.

Ao longo de quase duas décadas de atividade, colaborou com maestros e solistas de grande reputação nos planos nacional e internacional, de que são exemplo os maestros Christopher Hogwood, Theodor Guschlbauer, Michael Zilm, Arild Remmereit, Nicholas Kraemer, Lucas Paff, Victor Yampolsky, Joana Carneiro, Brian Schembri, ou os solistas Monserrat Caballé, Kiri Te Kanawa, José Cura, José Carreras, Felicity Lott, Elisabete Matos, Leon Fleisher, Maria João Pires, Artur Pizarro, Sequeira Costa, António Rosado, Natalia Gutman, Gerardo Ribeiro, Anabela Chaves, António Meneses, Sol Gabetta, Michel Portal, Marlis Petersen, Dietrich Henschel, Thomas Walker, Mark Padmore, entre outros. Em sucessivos períodos, a direção artística esteve confiada aos maestros Miguel Graça Moura, Jean-Marc Burfin, Álvaro Cassuto e Augustin Dumay, sendo desde a temporada de 2009/2010 da responsabilidade de Cesário Costa.

ANTÓNIO VICTORINO D’ALMEIDA
BIOGRAFIA

Nasceu em Lisboa, em 21 de maio de 1940.

Aluno de Campos Coelho, finalizou o Curso Superior de Piano do Conser-vatório Nacional de Lisboa com 19 valores após o que seguiu para Viena, onde se diplomou em Composição com a mais alta classificação conferida pela Escola Superior de Música (hoje Faculdade de Música), tendo sido aí aluno de Karl Schiske.

Como concertista, desenvolveu uma intensa carreira internacional, cotando-se entre os melhores pianistas portugueses do seu tempo, mas reduziu inevitavelmente essa atividade a partir do momento em que aceitou o posto de Adido Cultural em Viena.

Tal não o impediu, porém, de gravar mais tarde um CD editado pela ETE de Viena com a integral das 19 Valsas de Chopin, o qual recebeu o mais vivo elogio de figuras como, por exemplo, Alfred Brendel, e que muitos apontam como sendo uma das melhores interpretações de sempre.

Desenvolveu mais uma enorme atividade (mais de setecentos e cinquenta concertos, um pouco por toda a Europa) com a artista austríaca Erika Pluhar (e também com o guitarrista búlgaro Peter Marinoff e, mais recentemente, com o cantor português Carlos Mendes), nos quais adaptou uma técnica pianística clássica, virtuosística e reconhecidamente inovadora a uma importante revitalização do chamado «Wienerlied», a canção vienense, e de muitos dos mais famosos estandartes americanos, tendo obtido um grande êxito internacional com o CD «For Ever».

A sua principal atividade é todavia a composição, sendo sem dúvida um dos compositores portugueses que mais obra produziu, desde a música a solo, para piano e outros instrumentos, à música de câmara, à música sinfónica e coral-sinfónica, ao Lied ou à ópera, além de muita música para cinema ou para teatro, tendo recebido o elogio expresso de figuras com a importância de um Hans Swarowski, de um Godfried von Einem, de um João de Freitas Branco ou de um Dmitri Chostakovitch.

Aproximando-se o 50.º aniversário do seu início de carreira como compositor, quatro obras de sua autoria foram interpretadas, juntamente com a Sonata de Liszt, pela pianista austríaca Ingeborg Baldaszti no mais recente Festival de Bregenz.

Existem neste momento no mercado português cinco CDs da editora Numérica integralmente preenchidos com a sua música, além de outros CDs, nomeadamente do Opus Ensemble, que englobam obras de sua autoria.

Na Áustria e na Alemanha, tem vários discos e CDs gravados com Erika Pluhar, e a banda sonora musical do filme Capitães de Abril está editada em Itália.
Embora não se considere a si próprio como um chefe de orquestra de raiz, já dirigiu praticamente todas as orquestras portuguesas e também algumas importantes orquestras estrangeiras.

Aluno no curso do liceu de figuras como António José Saraiva ou Jorge Borges de Macedo, foi por estes incentivado a dedicar-se à escrita literária, sendo atualmente autor de oito livros, tanto de ficção («Coca-cola killer», «Tubarão 2000», «Histórias de Lamento e Regozijo», «Um caso de Bibliofagia»), como de reportagem («Polisário», «Memória da Terra Esquecida») ou ainda sobre música («Música e Variações», «O que é a Música» ou «Músicas da minha Estante»).

É ainda autor dos guiões já publicados da série «Duetos Imprevistos», que apresentou na televisão com Bárbara Guimarães, da adaptação para teatro musicado de «A Relíquia» de Eça de Queiroz, que esteve quase dois anos em cena no teatro da Barraca, do guião do seu próprio filme, «A Culpa», de vários outros guiões cinematográficos, nomeadamente das várias séries que apresentou na televisão, de peças de teatro, ensaios, etc…

Como realizador de cinema, é autor de «A Culpa», o primeiro filme português a receber um 1.º Prémio num Festival Internacional do estrangeiro (Huelva, 1980), de «As Mesas de Mármore» (filme austríaco com André Heller e Erika Pluhar nos protagonistas) e do documentário «Gemeinsam», encomendado pela ORF.
Também tem trabalhado em Rádio e atuou pontualmente como ator em filmes e séries televisivas.

Foi presidente do Sindicato dos Músicos, e desempenhou durante sete anos o cargo de Adido Cultural da Embaixada de Portugal em Viena, tendo recebido duas das mais importantes condecorações atribuídas pela Presidência da República da Áustria.

É pai das atrizes e realizadoras Maria de Medeiros e Inês de Medeiros, e da violinista e compositora Ana Victorino DʼAlmeida.

António Victorino D’Almeida
Diretor Artístico do Festival Grande Orquestra de Verão

Palavras do Diretor

Parece-me ser de escassa utilidade insistir-se na transmissão de informações destinadas àqueles que, em boa verdade, não queiram saber…

Mas haverá realmente quem não queira saber? Ou não será que esta acusação até representa uma cruel injustiça em relação àqueles – que efetivamente ainda são muitos… – que tiveram e têm os caminhos para a cultura e para a própria instrução mais elementar sujeitos às contingências da canção hoje muito famosa do Sérgio Godinho: «acesso bloqueado»…?

Ora, parece-me indispensável esclarecer que aqueles que não querem de facto saber são muitas vezes os mesmos que até sabem qualquer coisa, mas que omitem e deturpam aquilo que lhes chega ao conhecimento – mesmo que seja rudimentarmente –, pois trata-se de algo que entraria em perigosa rota de colisão com os produtos que vendem e impingem de mil maneiras, incluindo em termos gratuitos, com objetivos que só eles lá sabem…

Como já dizia Camilo de Castelo Branco, «a estupidez tem intuitos impenetráveis», pelo que não valerá muito a pena ocupar-nos com as verdadeiras intenções dos distribuidores de fancaria intelectual, bastando talvez ter-se a certeza de que não é a generosidade aquilo que os move. Nem a generosidade, nem a solidariedade…

A estupidez talvez até possa ser lúcida – e, deste modo, consciente ou mesmo astuciosa – pois há tipos de astúcia que são uma forma de velhacaria… – nas opções que faz e leva a fazer pelo erro, pela banalidade, rotina e sobretudo pela indigência das ideias, da estética e dos sentimentos.

Em Portugal, muitos dos maiores vultos da música têm sido ignorados e omitidos, nos acessos – efetivamente bloqueados – ao seu conhecimento, parecendo-me aqui muito claro o intuito de se conseguir que as maiorias pensem que, hoje em dia, os conceitos de arte musical são totalmente outros, que as obras sinfónicas estão em extinção, ou que a ópera, por exemplo, é uma coisa qualquer que há ali para os lados do antigo Governo Civil de Lisboa…

O veículo da Internet – embora também seja um dos mais propícios à disseminação da sordidez e da abjeção – torna muito fácil verificar que tudo isso é pura mentira e, que por todo esse mundo, em teatros de ópera com funcionamento diário, em milhares de salas de concerto, em gigantescos auditórios ao livre, são praticamente incontáveis os milhões de pessoas que ouvem e praticam a grande música de hoje, de ontem, incluindo aquela que já será talvez a de amanhã e, sobretudo, é a de sempre.

Só não o confirma quem não o quiser fazer. Mas aí voltamos à problemática dos intuitos impenetráveis…

A possibilidade de contarmos com orquestras, mormente sinfónicas, espalhadas por todo o país durante os meses que separam as datas de 14 de junho e 30 de setembro, permitirá acalentarmos a justa esperança de se arrancar o nosso país a essa «austera, triste e vil tristeza» em relação ao que realmente se passa no mundo em termos de música, mostrando que os públicos portugueses, tanto ou mais do que alguns outros, estão aptos a partilhar a mensagem de uma cultura que também é sua e a viverem momentos que, assim se espera, se tornarão inesquecíveis.

Porque a grande música não se consome: partilha-se. E é através do fenómeno misterioso dessa partilha que ela realmente se constrói e transforma num valor universal – e essencial!

António Victorino D’Almeida